A escrita de roteiros é o ponto de partida para qualquer produção audiovisual. É no roteiro que a história ganha forma, com personagens, diálogos, ações e cenários definidos. No cinema, o padrão mais utilizado é o formato master scene, que organiza o texto em cenas numeradas, com indicações claras de local, tempo (dia ou noite) e ações. Esse formato é amplamente reconhecido na indústria e facilita a leitura e a interpretação por parte da equipe técnica e artística. Ele é estruturado de maneira linear, focando na narrativa e na evolução da história, sem entrar em detalhes técnicos específicos de cada área.
No entanto, nem todos os roteiros seguem o formato master scene. Em trabalhos de publicidade, por exemplo, é comum utilizar um formato mais simplificado, que prioriza a clareza e a comunicação rápida com clientes que não são especialistas em audiovisual. Esses roteiros costumam ser mais visuais, com descrições sucintas e ênfase na ideia central do comercial, sem se prender a convenções técnicas. O objetivo é transmitir a mensagem de forma direta, facilitando a aprovação do cliente e a execução da produção.
Um roteiro, seja para cinema, publicidade ou outras mídias, não deve trazer especificações técnicas detalhadas para cada área, como fotografia, som ou arte. Ele serve como a base da história, fornecendo os elementos narrativos que serão interpretados e desenvolvidos pelas equipes técnicas. Por exemplo, o roteiro pode descrever uma cena como “João entra na sala escura e acende a luz”, mas cabe ao diretor de fotografia decidir como iluminar a cena e ao diretor de arte definir como será a sala.
O processo de decupagem de roteiro é essencial para transformar o texto em imagens e sons. Cada diretor de área faz sua própria decupagem, analisando o roteiro para entender as necessidades específicas de sua equipe. O diretor de fotografia, por exemplo, decupa o roteiro para planejar os enquadramentos, movimentos de câmera e iluminação. Ele pode, ainda, criar um storyboard, que é uma representação visual das cenas, como se fossem quadrinhos, para ajudar a equipe a visualizar a narrativa.
A equipe de arte também faz sua decupagem, focando em cenografia, elementos de cena e figurinos. Eles analisam o roteiro para entender o contexto de cada cena e criar um ambiente visual que reflita a história e os personagens. Já a equipe de produção decupa o roteiro para planejar locações, quantidade de elenco, horários de gravação e até a necessidade de figurantes. Cada área contribui para a construção do trabalho, mas tudo começa com o roteiro, que é a base para a organização e execução da produção.
É importante destacar que existem diferenças significativas entre roteiros para publicidade, cinema e mídias sociais. No cinema, o roteiro é mais detalhado e narrativo, com espaço para desenvolvimento de personagens e arcos dramáticos. Na publicidade, o roteiro é mais conciso e focado na mensagem principal, muitas vezes com um apelo emocional ou humorístico. Já nas mídias sociais, o roteiro precisa ser adaptado para formatos curtos e dinâmicos, como vídeos de 15 a 60 segundos, com linguagem que engaje o público rapidamente. Cada canal exige uma abordagem específica, e o roteirista deve estar atento a essas nuances.
Além disso, o roteiro é um documento vivo, que pode sofrer alterações ao longo da produção. Revisões são comuns, seja para ajustar diálogos, adaptar cenas a imprevistos ou incorporar novas ideias. Por isso, é fundamental que o roteirista esteja aberto ao feedback e disposto a colaborar com a equipe.
Para quem está começando a escrever roteiros, aqui vão algumas dicas importantes:
O roteiro é a espinha dorsal de qualquer produção audiovisual. Ele guia a equipe, define a narrativa e serve como ponto de partida para a criação de imagens e sons. Dominar a arte da escrita de roteiros é, portanto, um passo fundamental para qualquer profissional do audiovisual que deseja contar histórias de impacto.