Bisqui

Câmeras

5 de março de 2025, Ze Tomaz

Quando pensamos em filmagem, muitas vezes imaginamos aquelas enormes câmeras de cinema cheias de botões e lentes gigantes. Mas a verdade é que hoje, qualquer pessoa pode começar a produzir vídeos com um equipamento que já tem no bolso: o celular. A evolução das câmeras de smartphones nos últimos anos foi impressionante, e muitos modelos oferecem qualidade suficiente para produzir conteúdos profissionais. Porém, para extrair o máximo de qualquer câmera, é essencial entender como ela funciona e como a luz afeta a imagem.

Toda câmera, seja de um celular ou de cinema, tem um sensor. O sensor é o coração da câmera, pois é ele que captura a luz e transforma em imagem digital. Sensores maiores, como os encontrados em câmeras DSLR e mirrorless, captam mais luz e têm melhor desempenho em ambientes escuros. Já sensores menores, como os de celulares, podem sofrer um pouco mais em baixa luminosidade, exigindo uma boa iluminação para evitar imagens granuladas e com ruído.

Para ajudar a captar mais luz, as câmeras têm um recurso chamado ISO. O ISO determina a sensibilidade do sensor à luz: um valor baixo (ISO 100, por exemplo) gera imagens mais limpas, mas precisa de bastante luz. Já um ISO alto (como 3200 ou mais) permite filmar no escuro, mas pode trazer ruídos indesejados. A dica é sempre buscar o menor ISO possível e compensar a falta de luz com iluminação artificial ou ajustes na exposição.

Outro fator importante é a abertura da lente, que é representada pelo valor f/. Uma abertura grande (como f/1.8) permite que mais luz entre na câmera, facilitando filmagens em locais escuros e criando aquele efeito desfocado no fundo (chamado de desfoque de profundidade ou bokeh). Já aberturas menores (como f/11) deixam tudo mais focado, mas exigem mais luz para uma boa exposição.

Além disso, temos o obturador, que controla o tempo que a luz atinge o sensor. Ele é medido em frações de segundo, como 1/50s ou 1/1000s. Velocidades mais rápidas congelam movimentos, enquanto velocidades mais lentas criam aquele efeito de arrasto, típico de filmagens noturnas com carros em movimento. No vídeo, muitos dizem existir uma regra básica é usar o obturador no dobro da taxa de quadros (por exemplo, 1/50s para 24fps) para obter um movimento semelhante ao que o olho humano enxerga, mas não leve isso como lei! Cada configuração te proporciona uma estética visual diferente o que permite o fluir da sua criatividade.

Muitos celulares e câmeras compactas ajustam tudo automaticamente, mas quem quer mais controle pode usar aplicativos que permitem configurações manuais. Com eles, é possível ajustar ISO, abertura, obturador e até o balanço de branco, que define a cor da luz capturada. Ajustar o balanço de branco corretamente evita que a imagem fique azulada ou amarelada, garantindo tons naturais.

Outro conceito essencial é o FPS (frames por segundo). A maioria dos vídeos é gravada em 24fps ou 30fps, mas se aumentarmos para 60fps ou 120fps, conseguimos criar efeitos de slow motion suaves. Essa técnica é usada em comerciais, esportes e cenas de ação para dar aquele impacto cinematográfico.

Além da câmera, um acessório indispensável para filmagens estáveis é o tripé. Segurar a câmera na mão pode gerar imagens tremidas, então um tripé ou um estabilizador gimbal ajudam a garantir vídeos mais profissionais. Se precisar gravar em movimento, estabilizadores eletrônicos suavizam os tremores e criam um efeito fluido, como os que vemos em filmes.

Por fim, vale mencionar que no cinema profissional existe toda uma equipe dedicada à câmera. O cinegrafista é quem opera a câmera, enquanto o primeiro assistente de câmera (1AC) cuida do foco. O segundo assistente de câmera (2AC) organiza os equipamentos e troca lentes, e em grandes produções há até um terceiro assistente! Embora quem grava sozinho precise assumir todas essas funções, entender como funciona essa estrutura ajuda a planejar melhor as filmagens.

Com esse conhecimento básico, qualquer pessoa pode começar a explorar o mundo da filmagem com muito mais qualidade e controle. Seja com um celular ou uma câmera profissional, o mais importante é conhecer os recursos disponíveis e, claro, praticar bastante para aprimorar cada vez mais as suas produções!